/Refletindo Através das Letras
07/01/2012 11h16

Padre Antônio Böing, Reconhecimento e Aplausos

Por acaso, encontrei o Padre Antônio Böing no Restaurante Caldeirão. Conversamos um pouco sobre a pesquisa que ele fizera sobre a evolução política de Santa Inês. Trabalho árduo acredito, pois é garimpar terra virgem ainda. Necessitamos de pessoas com coragem e preparo intelectual para registrar nossas memórias, nossas lendas, nossas histórias. Não podemos perder nosso patrimônio cultural material  e imaterial, por falta de políticas públicas estimuladoras. Devemos, inclusive, animar o nascimento destas reflexões em nossa urbe.

Pe. Antônio, como todos o conhecem, é músico, engenheiro e um notável professor de latim. Foi o segundo Pároco de nossa ‘santinha’ . Um homem dedicado ao catolicismo, que construiu a Igreja Matriz, a Igreja de Santo Antônio e muitas capelas pela zona rural. Este ano completa quarenta anos de serviços prestados à Virgem Mártir. Ele merece o nosso reconhecimento por todas as coisas grandes, que ajudou a erguer aqui.

Meus queridos leitores, quero destacar nesta quase crônica o Mestre Antônio  Böing. Lembro-me com satisfação das aulas inesquecíveis no Centro de Estudos Superiores de Santa Inês, nos idos de 2000. As lições avolumavam-se entre reflexões sobre a Língua Materna, declinações, casos latinos. Era um momento de aprender com alegria, bom humor e muito compromisso – creio inclusive que a organização mora na alma desse ‘magnus magister meus’. Logo, no primeiro dia, sabiamos da disciplina toda, datas, feriados, trabalhos extras, avalições: tudo.

Numa das aulas, ele acabara de declinar a palavra da primeira declinação latina ‘vita, ae’,  que dar origem a palavra ‘vida’ em Português, e escrevera, em seguida, uma frase. Pergunta em alto e bom tom: “ Qual é a função sintática da palavra ‘vida’ nesta sentença?”

-   Acho que funciona como Adjunto Adnominal Restritivo, ou Adjunto Adnominal Simples, professor. Disse o Alessandro, um amigo de peraltices.
 - Meu ‘discipulus’, não cometa tão grande desrespeito gramatical, não envergonhe os homens cautos desta sala. No contexto da sentença, funciona como sujeito simples, claro. Você precisa aprender Português para começar a entender o latim. Ninguém aprende Latim sem saber Português. Grave bem isso! Estude mais! Armei uma arapuca para você. Disse sorrindo o Mestre.

Nós todos rolamos no chão sorrindo da ironia apurada daquele homem sábio. Eu, depois do acontecimento, comecei a estudar mais ainda para nunca cair em nehuma arapuca armada pelo Grande Mestre, Padre Antônio Böing. Sem dúvida, você merece os nossos aplausos! Termino como um bom aluno, com uma máxima dos romanos: ‘Finis coronat opus’. Isto é, o fim coroa a obra.

Paulo Rodrigues (Professor e Poeta)