15/07/2011 23h38
Paiol da Leitura
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| Por Paulo (Rodrigues) Poeta |
Sou um afcionado pela arte de ler desde o Ensino Fundamental Maior, quando encontrei o professor Pedro de Araújo Filho no Centro de Ensino Inês Galvão em 1992, que era um mestre na arte da elaboração de signos verbais, um exímio orador, tão grande quanto Cícero. Um educador com habilidades enormes para encantar os sujeitos da aprendizagem, mas não é bem do Pedrinho que eu quero falar nesta crônica.
Preciso dividir com meus leitores a imensa felicidade em meu peito, porque tenho visto ‘in loco’ os educadores e educadoras de Santa Inês preocupados em formar leitores como extratégia para melhorar a qualidade da educação municipal, como também para formar seres mais conscientes de suas responsabilidades, amantes do verbo em metamorfose constante. Devemos realizar a leitura segundo a espanhola Isabel Solé com a intenção clara: “Ler é compreender e compreender é sobretudo um processo de construção de significados sobre o texto que pretendemos compreender. É um processo que envolve ativamente o leitor, à medida que a compreensão que realiza não deriva da recitação do conteúdo em questão. Por isso, é imprescindível o leitor encontrar sentido no fato de efetuar o esforço cognitivo que pressupõe a leitura, e para isso tem de conhecer o que vai ler e para que fará isto”. Temos que ter muito bem defenido o objetivo de nossas leituras para podermos provocar as trasnformações em nós e no mundo, que só o ato de ler pode fazê-lo.
Busquei a força da palavra transformação, no parágrafo anterior, para ilustrar um exemplo bom de ser copiado. Um gestor da Zona Rural de nosso município criou recentemente o ‘Paiol da Leitura’ onde pratica a leitura de textos literários com liberdade máxima, sem cair na anarquia. Os moradores vão ao espaço dedicado aos clássicos( Cervantes e o Machado de Assis) deitar nas esteiras e comer o alimento da alma, da cosnciência. Sem dúvida, todos estão com uma dieta de encher os olhos. O autor desta belezura é o Raimundinho do Campo Novo. Perguntei a ele nos corredores da Faculdade Interativa COC.
- Você consegue formar leitores com uma idéia tão fascinante e ao mesmo tempo tão livre?
- Meu caro amigo, eu quereia desfazer uma afirmação do Drummond, se isso é possível, pois ele dizia: ‘ A leitura é uma fonte inesgotável de prazer mas por incrível que pareça, a quase totalidade, não sente esta sede’. Peguei o acervo da escola, comprei outros, fiz campanha de arrecadação de títulos novos, e comecei a promover leituras em voz alta para alguns interessados. Hoje são muitos os leitores e leitoras que sentem prazer no Paiol. Um leitor de verdade forma leitores em qualquer ambiente, basta ser um louco por leitura como nós somos. Disse o Raimundinho.
Creio que devemos mesmo seguir o modelo sutil do ‘Paiol’, logo a iluminação da sociedade só acontecerá através de multiplas leituras. Como dissera Horácio‘ Non sum, qualis eram’. Não sou o que era – eu completo não sou o que era depois de ter lido muitas páginas.
Paulo Rodrigues ( Professor e Poeta)
