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Agora Santa Inês - A TRISTE HISTÓRIA DA MÃE E DE UMA DAS IRMÃS DE GONÇALVES DIAS

A TRISTE HISTÓRIA DA MÃE E DE UMA DAS IRMÃS DE GONÇALVES DIAS

Por Brunno G. Couto*

 

Antônio Gonçalves Dias, o maior poeta caxiense, faleceu no dia 03/11/1864, no naufrágio do navio Ville Bologna. À época, sua mãe, d. Vicência Mendes Ferreira, não morava com poeta, e sim com os filhos que tiveram com outro esposo, eram eles: Maria Magdalena da Silva, Carlota Raimunda e Sebastião Correia de Araújo; residindo no antigo beco das violas (também conhecido como rua das Tabocas. Atualmente chama-se rua Teófilo Dias) em Caxias. A situação não era nada fácil, necessitando do mínimo para subsistência.

 

De acordo com o historiador, Arthur Almada Lima Filho, em seu livro “Efemérides Caxienses”, d. Vivência, mulher mestiça de origem indígena, foi concubina e funcionária do pai de Gonçalves Dias, o português João Emanuel Gonçalves Dias (negociante abastado). Com os pais biológicos, residindo em um sobrado a Rua do Cisco (atual Fause Simão), Gonçalves Dias passou os primeiros anos de sua infância. No endereço também funcionava a casa comercial do patriarca.

 

Em 1829, logo que se casou legalmente com d. Adelaida, pertencente a uma ilustre família de São Luís, o patriarca fez questão de trazer o pequeno Gonçalves Dias (que tinha por volta de seis anos de idade), para a sua companhia e da madrasta. Manuel e Adelaide tiveram mais quatro filhos: João Manoel, José Gonçalves, Domingos Gonçalves e Joana Gonçalves Dias (mãe do advogado e poeta Teófilo Dias).

O casal continuou a morar no imóvel à Rua do Cisco, enquanto D. Vicência teve que procurar uma nova residência (é quando passa a morar na atual Rua Teófilo Dias). Informações de pesquisadores dão conta de que ‘seu’ Manuel proibiu o filho de visitar a sua verdadeira mãe, a qual reencontraria somente quinze anos depois. Após o falecimento do pai, em 1937, o jovem passou a ser criado por d. Adelaide (falecida em 1877).

 

Desde a morte de Gonçalves Dias, autoridades, sabendo das condições de d. Vicência, passaram a enviar mesadas para ajudar em suas despesas; o cidadão Antônio Henriques Leal fora um desses benfeitores. Vale lembrar que, no dia 24/03/1866, pouco mais de dois anos após a morte do Filho, d. Vivência, herdeira de Gonçalves Dias- talvez por falta de instrução ou por pressão exterior-, cedeu, “de forma gratuita, plena e inteira”, os direitos de propriedade das obras inéditas e impressas do poeta à viúva do filho, Olympia Gonçalves Dias.

Segundo a IMS: “Olympia, filha do doutor Cláudio Luis da Costa, fundador do Instituto Benjamin Constant, no Rio de Janeiro, casou- se com Gonçalves Dias em 1852, quando o poeta amargava a recusa de seus pedidos de casamento feito à mãe da jovem Ana Amélia Ferreira do Vale, por quem nutriu uma grande paixão. A união de Olympia e Gonçalves Dias durou quatro anos infelizes, e dele nasceu uma filha, Joana, que morreu antes de completar dois anos”.

 

A mãe biológica do poeta faleceu aos 81 anos, em 1879; sendo, no dia 15 de novembro, sepultada no cemitério de N. S. Dos Remédios, em uma cerimônia que reuniu diversas autoridades e populares caxienses. Nos últimos anos de sua vida, a matriarca passou a viver de uma pensão concedida pelo Dr. Augusto Olympio Gomes de Castro, autoridade que também financiou seu funeral.

 

Após a morte da mãe, Maria Magdalena da Silva, uma das irmãs de Gonçalves Dias pelo lado materno, continuo residindo no imóvel da família: uma casa simples de meia morada, com duas janelas em direção à rua (imagem acima). Em 1884, ao fazer uma visita a Caxias para a instalação da rede telegráfica, o engenheiro Guilherme Schuch (o Barão de Capanema) desejou conheci a família do renomado poeta caxiense. Ao se dirigir a Rua das Tabocas, ficou espantado com a crítica situação financeira em que vivia a irmã de uma importante figura nacional. Na ocasião, deixou com Maria uma significativa ajuda financeira.

 

Nesse mesmo período, a situação de penúria vivida por Maria estampou as páginas do jornal Echo Liberal, de Caxias. Tão logo a notícia for espalhada, alguns cidadãos da capital do Estado tomaram ciência da situação. Assim, determinados cavalheiros promover uma subscrição em favor da irmã de Gonçalves Dias, obtendo uma quantia perto de 200 mil réis. O montante garantiu é subsistência de Maria pelo período de um ano. Ao mesmo tempo, promoveram no Rio de Janeiro uma subscrição para o mesmo fim. Contudo, ação não logrou êxito, tendo em vista que alguns cidadãos levantaram dúvidas se Gonçalves Dias teria, realmente, uma irmã.

No ano de 1886, diante das alegações de que Gonçalves dias só tinha uma irmã, e essa se chamava Joana Gonçalves Dias, uma comissão (formada por: José do Rego Medeiros, Antônio de Sousa Coutinho Francisco dos Reis Aguiar) soltou uma nota no jornal pacotilha atestando que o poeta tinha mais irmãos pelo lado materno. Dizendo em certa altura da publicação: “Ora, se os filhos da madrasta do poeta são considerados irmãos, não vemos razão nenhuma para que não seja igualmente os filhos de sua própria mãe”.

 

Em 1887, o jornal Gazeta noticiava que a irmã do poeta andava, de porta em porta, pedindo esmola nos lares de Caxias. A última notícia que se tem de Maria Magdalena data do ano de 1891, quando o Conselho de Intendência Municipal de Caxias mandou ser concedido mensalmente um auxílio de 10$ em seu favor. a casa da antiga Rua das Tabocas ainda ficou de pé por alguns anos; o IPHAN, por volta da década de 1940, chegou a fotografá-la. Tempos depois, o imóvel fora demolido. Atualmente, quem passa por aquele logradouro nem imagina que, um dia, ali habitou a mãe e irmãos do filho mais ilustre de Caxias.  Dona Vicência, não fora homenageada nem como nome da via que, atualmente, leva o nome do sobrinho de Gonçalves Dias, o também poeta, Teófilo Dias. (Fonte – www.arquivocaxias.com.br)

 

*Brunno G. Couto: Entusiasta da História de Caxias, e amante da fotografia. Criador da página e do site Arquivo de Caxias.

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Fontes de pesquisas: Jornal Pacotilha; Livro Por Ruas e Becos de Caxias/Autor: Ezíquio Barros Neto; Livro Efemérides Caxiense/Autor:  Arthur Almada Lima Filho; Jornal O Paíz; Depoimento de Daniel Lemos; Jornal A Luta Democrática; Anais da Biblioteca Nacional (RJ); Correio IMS; Jornal do Comércio (RJ); Jornal Gazeta; Diário do Maranhão.

Imagens da Publicação: Ac. Do IPHAN; Internet; Ac. IMS; Jornal Diário do Maranhão. Restauração e Colorização; Bruno G. Couto.

Postado por: Redação Agora 03

Categoria do Post:

Data: 15/02/2021

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Palavras-chave: A TRISTE HISTÓRIA DA MÃE E DE UMA DAS IRMÃS DE GONÇALVES DIAS

Fonte:

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