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Agora Santa Inês - LITERATURA LITERALMENTE

LITERATURA LITERALMENTE

EMOÇÕES E REAÇÕES

Por Clélio Silveira Filho

 

Não sei como reagir a tantas emoções

Muitas me fazem descer lágrimas,

Outras sorrir de orelha a orelha,

E há àquelas, que como verdadeiros bordões

 

Me iludem no dia a dia da vida

Curam misteriosas e doídas feridas,

Me animam a conversar, cá com meus botões

E até a viver dias alegres, e noites entristecidas

 

Fácil lidar com emoções de um quase nada?

Ledo engano! Mesmo sendo uma singela parada

No fundo do tempo, um tropeço, uma topada

 

Um elogio ou um comentário insensato,

Pode me levar a uma reação emotiva

Que tanto me fará sorrir ou chorar

 

Ou pode ser que tão “inexpressiva” emoção

Me faça chorar de tanto sorrir

Ou me faça sorrir de tanto chorar,  até rolar pelo chão. 

 

MARGINAL

Luís Henrique Sousa Costa*

 

Eu passo e meu passar nem é observado

Meu tênis não é importado.

Não faz sentido.

Somos consumidos pelo consumismo.

 

Eu passo e na minha cena

Ninguém percebe o quanto sou original

Meus caminhos eu mesmo faço.

Criticam-me, censuram-me, exigem-me marginal.

 

Então eu passo com minha poesia

Careta, simples, direta.

E o melhor que faço

É deixar a porta aberta.

 

Eu passo pelos bares, pelos lares, pelas ruas.

Por homens mal amados, por lindas ninfas nuas.

Não persigo e métrica, persegue-me a rima.

Não deixo apenas acontecer.

Ajudo a escrever minha sina.

 

Eu passo pelos vícios, artifícios

Abomino o artificial

E minha poesia

Careta, simples, direta.

Deixa ao centro uma porta aberta.

Para não sofreres o vexame

De ser visto marginal.

 

*Luís Henrique Sousa Costa é poeta, escritor, ativista cultural, membro efetivo da Academia de Letras de Santa Inês. Possui onze livros editados. Venceu inúmeros festivais literários e recentemente foi destaque no concurso de poesia Gonçalves Dias (promovido pela Associação Maranhense de Escritores Independentes - AMEI). Vai publicar pela Editora Penalux de São Paulo, o título OLHE BEM PARA MIM.

 

LUÍS HENRIQUE, LIRISMO E OLHAR SOCIOLÓGICO

Estava organizando os livros na minha biblioteca, no final de semana. Vi, entre Rachel de Queiroz e Altemar Lima, a obra do meu compadre Luís Henrique Sousa Costa. Não pensei muito. Sentei. Fiz um passeio pelos precipícios e paradoxos deste ser que transpira poesia.

Luís é poeta, escritor, ativista cultural, membro efetivo da Academia de Letras de Santa Inês. Possui onze livros editados. Venceu inúmeros festivais literários e recentemente foi destaque no concurso de poesia Gonçalves Dias (promovido pela Associação Maranhense de Escritores Independentes - AMEI). Vai publicar pela Editora Penalux de São Paulo, o título OLHE BEM PARA MIM.

      Eu disse na apresentação de A Tartaruga Fofoqueira e Outras Estórias: “conheço a luta desse vagalume do fazer artístico para recriar a vida, empurrar o ser humano à sua órbita natural e ressignificar o universo no qual vivemos”. Ratifico e acrescento que o poeta em questão é ético, humano, acima dos valores líquidos dos pós-modernos.

      Demorei alguns minutos, lendo o texto PIXOTES DA VIDA:

 

 

Olha, eu não te acuso por ser burguês

Eu só queria que chegasse a minha vez

De ganhar brinquedo caro no natal

Como aquele no teu quintal, jogado no lixo.

 

Olha, não é nenhum capricho

É só um desejo de criança

Teu cobertor é tão cheiroso, tão macio

E eu aqueço o meu frio na esperança

 

Eu não te acuso por ter um ferrorama

E ser cercado de carinho

Pra mim bastaria uma simples cama

Um lençol limpinho, um lugar quentinho

 

Compreendo suas dúvidas entre os submarinos

E as pistolas de heróis de ficção

Pra mim bastaria um carrinho, um carinho

Um simples jogo de botão

 

Quem inventou regras tão malditas?

Eu tão diferente de você?

Se todo mundo é irmão

Você tem até aula de natação

Eu, não tenho nem o que comer

 

Você e o seu videogame

Na sua TV os heróis são só seus

Só não entendo é por quê?

Uma vez ouvi dizer          

Que nosso Deus é o mesmo Deus

 

E onde estão os meus heróis?

A pergunta é:

Quem somos nós?

Pixotes da vida!

 

     O poema apresenta um tecido denso. Luís é um autor preocupado com a leitura do momento histórico. Organiza as imagens numa sequência cinematográfica. Este menino que acredita: “Que o nosso Deus é o mesmo Deus”. Faz uma reflexão profunda sobre a condição material concreta da existência, num país marcado pela escravidão, pela violência contra a arraia-miúda (isto é, pobre, favelado, negro).

     O eu lírico grita o horror do real, destituído de qualquer ficcionalidade. Nos impressiona e comove com a indagação: “Quem somos nós? ”. 

      Outro poema da lavra do Luís que retoma a discussão política, sem bandeira trêmula nas mãos, é ORFÃOS DE MIM:

 

Espalhadas a mendigar pelas ruas, famintas, banguelas.

Vão perdendo a infância, a beleza, a graça

e suas desgraças parecem ser só delas.

 

Solidário, tenho me preocupado deveras.

Tanto sofrer explicitado, miséria exposta.

 Eu, uma dentre as outras feras, desconheço também as respostas.

 

E é só parar para pensar.

Vai ver nem é tão difícil assim.

Crianças famintas no mundo a vagar

Nada mais são que órfãos de mim.

 

     Os dois poemas foram produzidos na década de noventa. O desemprego, a fome, a miséria assombravam a América Latina, exatamente como acontece em 2021. O poeta desenha uma linguagem intensa para capturar o leitor. Sabe usar uma linha discursiva sociológica para entender os esconderijos da alma humana. São versos livres que ajoelham nos olhos da consciência cristã: “Vai ver nem é tão difícil assim./ Crianças famintas no mundo a vagar/ Nada mais são que órfãos de mim”.

     Luís Henrique pensa a lírica, sem esquecer do presente vivido. Redescobre a poesia engajada com vontade de participar da tão sonhada metáfora do mundo como teorizou Paul Ricoeur.

 

Paulo Rodrigues (Caxias, 1978), é graduado em Letras e Filosofia. Especialista em Língua Portuguesa, professor de literatura, poeta, jornalista. É autor de vários livros, dentre eles, O Abrigo de Orfeu (Editora Penalux, 2017); Escombros de Ninguém (Editora Penalux, 2018).

Ganhou o prêmio Álvares de Azevedo da UBE/RJ em 2019, com o livro Uma Interpretação para São Gregório.

Venceu o prêmio Literatura e Fechadura de São Paulo em 2020, com o livro Cinelândia.

É membro da Academia Poética Brasileira. 

Postado por: Redação Agora 03

Categoria do Post: Entretenimento

Data: 24/05/2021

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Palavras-chave: LITERATURA LITERALMENTE

Fonte:

Big Systems
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