Agora Santa Inês - VIOLÊNCIA E PANDEMIA!

VIOLÊNCIA E PANDEMIA!

Por Ruy Palhano

 

Durante a pandemia, fala-se muito no novo normal, como algo inusitado produzido no curso natural da pandemia e que passaria a se incorporar nos hábitos gerais das pessoas e a fazer parte das relações sociais em momentos pós-pandêmicos. Confesso que essas afirmações nunca me convenceram por inteiro, considerando que eu não acredito em mudanças, que ocorra com alguém ou na sociedade, que tem como bases eventos ou circunstâncias inusitadas ou que não haja um pleno convencimento sobre as bases ou as reais necessidades dessas mudanças. E, no clamor desses momentos da pandemia algumas mudanças propostas e efetuadas são efêmeras e inconsistentes.

Tão logo se percebe alguma queda na onda de contágio e de mortalidade na pandemia as coisas voltam rapidamente ao que era antes. Todos os hábitos, costumes e atitudes comuns, anteriormente à doença, passam a aflorar rapidamente no seio da sociedade e nas relações humanas. Tudo, inclusive a violência, que tinha dado uma trégua, em razão da supremacia das ocorrências da infecção pelo corona vírus. Tudo volta  a acontecer como antes do pior quadro da pandemia, com força total, inclusive o descuido irresponsável e assustador das pessoas não se protegerem da contaminação viral.    

Já em 2015, o Anuário Brasileiro de Segurança Pública em sua 10º versão, trazia números impressionantes e assustadores sobre a violência em nosso país. O de 2017, prossegui na mesma escalada, lamentavelmente, com números chocantes. Hoje, mesmo no curso dessa pandemia, são impressionantes os índices de violência em nossa sociedade, especialmente a violência doméstica os índices de separações conjugais, de intolerância de todos os tipos, de feminicídios, suicídios e outros homicídios que nos assusta a todos. Costuma-se dizer que vive-se em franca guerra civil, onde o estado, as organizações criminosas, a sociedade como um todo, estão transitando nessa violência sem se saber, com clareza, qual a responsabilidade de cada qual, ante essa escalada assustadora, nesse cenário de crime e guerra.  Percebe-se que de um lado, a violência como consequência direta das profundas desigualdades e desagregações psicossociais, políticas, econômica e comportamental por que vem passando o mundo e o homem contemporâneo. Do outro lado, a banalidade com que a violência ocorre, se incorporou à nossa cultura devido a frequência com ela acontece e pela imobilidade e passividade que já demonstramos existir, diante de tantos acontecimentos que nós não pudéssemos altera-los. Isto é o risco de a violência tornar-se algo banal. É tão frequente, a sua prática na sociedade atual, que isso contribuiria para a formação de uma cultura da violência, literalmente incorporada às pessoas. Essas práticas, por serem tão frequentes e volumosas iriam, de forma lenta e insidiosa, se incorporando dentro de cada um, ao ponto de cada sujeito se conformar com ele a organizar seu “modus vivendi” inspirados nessa própria violência. Eis a sociedade, pós-pandemia, tornando-se novamente medrosa, insegura e ansiosa, e o pior inconformada por não saber mais o que fazer para se livrar desse tremendo problema. Uma sociedade entrincheirada, organizada por medos e insegurança e, se defendo como pode, ante uma situação avassaladora e que não muda. E, não é só isso, há outras questões, de diferentes matizes, buscando enfrentamento do problema como os esforços do estado brasileiro, para enfrentar a situação, que nos dá a nítida impressão de falência ante aos arroubos da criminalidade e da violência do ponto de vista público. Eis a violência tomando conta de todos.

Qual a expectativa, do ponto de vista da saúde mental, que se pode ter, diante de tanta violência e de tantos acontecimentos traumáticos? Como as pessoas poderiam funcionar para sentirem minimamente os efeitos deletérios de tanta criminalidade e violência? Sabe-se, que nossa saúde mental, é uma condição que está diretamente relacionada ao bem-estar das pessoas em todos os sentidos, ao seu bem-estar físico, a sua segurança, ao seu prazer, ao atendimento de suas necessidades vitais. Está relacionada ao seu crescimento saudável, a uma boa alimentação, a fé, ao carinho, ao amor e a solidariedade. A saúde mental, não se compra nem se vende, se adquire e se desenvolve. Saúde mental está em uma cidade limpa, bem cuidada, em um trânsito seguro, em boas práticas de amizade e de fraternidade. Está em uma sociedade justa e que tem valores éticos a serem praticados. E, é isso que encontramos na sociedade e no mundo moderno? Como poderemos ter saúde mental em um clima social conturbado, com tantas guerras, injustiças, contradições políticas, com tantas agressões á moralidade, com tanto desemprego, desassistência a saúde, especialmente aos mais pobres, com tantas mentiras, tantas corrupções e desalentos? Como podemos ter saúde mental diante tanto despudor, desonra, ameaças de todos os tipos e desmoralização na gestão pública, ou mesmo com tantas desavenças? Afirmo-lhes, que não desfrutamos de nossa saúde mental. E isso se verifica no aumento da frequência com que surgem as doenças mentais na população atual. Não é, à toa, que a Psiquiatria, como especialidade médica, é hoje uma das especialidades mais relevantes e mais prestigiadas entre as coirmãs e uma das mais consultadas em todos os tempos, e isso se verifica entre crianças, adultos, adolescentes e idosos. O bem-estar das pessoas, a saúde mental e as doenças psiquiátricas, são os temas mais debatidos nos congressos internacionais, nacionais e locais. Os índices atuais e crescentes de depressões, de stress pós-traumáticos, que em razão dessa violência e da pandemia atingem níveis alarmantes, a ansiedade generalizada, as fobias sociais, os distúrbios compulsivos, os distúrbios do sono, do apetite e os conflitos existenciais.

Os índices exagerados de consumo de álcool e outras drogas, as práticas de suicídio, que até 2025 se não forem implantadas políticas públicas eficientes, 1 milhão e 500 mil morrerão dessa forma, são condições que fazem parte desse cenário.    Enfim, há muitas outras condições, absolutamente desfavoráveis, nos dias atuais, que poderíamos citar para demonstrar o quão mal se encontra a saúde mental dos brasileiros e das pessoas no mundo atual, especialmente agora, na e no pós-pandemia. É preciso, que cada um de nós, dentro de nossa singularidade, promova, assegure e lute pelo nosso bem-estar individual e coletivo, que todos nós tenhamos um mínimo de responsabilidade para nos protegermos contra esse estado de coisas deploráveis, como a violência, corrupção e a criminalidade que está aí.

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Postado por: Redação Agora 03

Categoria do Post: Entretenimento

Data: 10/07/2021

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Palavras-chave: VIOLÊNCIA E PANDEMIA!

Fonte:

Big Systems
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